‘The Other City’ na Galeira de Arquitectura [+]

18.04.2017

Estará patente até ao próximo dia 22 de Abril a exposição ‘the Other City’ na Galeria de Arquitectura (Rua do Rosário 191, Porto), na qual escrevo tendo por base fotografias de Cláudio Reis, tiradas numa visita pelo Este da cidade na companhia de Gui Castro Felga e Pedro Figueiredo (The Worst Tours).

ªSede: Eudora Welty [+]

03.04.2017

ªSede abriu em Dezembro de 2016. Ao longo destes três meses, promovemos várias actividades culturais e artísticas que consideramos importantes e que envolveram largas dezenas de pessoas. Agora, queremos dar mais um passo e cumprir um outro objectivo do projecto: fixar memória. A ideia é lançar uma publicação a que chamamos ACTA.

A ACTA não tem uma periodicidade regular e será editada sempre que exista disponibilidade material e quando uma actividade justifique a fixação da sua memória.

A primeira ACTA é dedicada a Eudora Welty, que será objecto de uma sessão no dia 4 de Março de 2017, com Diana V. Almeida, estudiosa e tradutora da obra da autora norte-americana. Esta primeira ACTA tem contribuições inéditas de Adriana Crespo, Alexandre Andrade, Diana V. Almeida, Gonçalo M. Tavares, Jorge Sousa Braga e Margarida Vale de Gato, a partir de uma fotografia de Eudora Welty.

https://asedenoporto.wordpress.com/2017/02/15/apos-tres-meses-de-trabalho-chega-a-primeira-acta/

Matadouro/ (fim) [+]

30 de maio de 2018

Matadouro /

À excepção dum breve momento numa entrevista a Carlos Machado e Moura e Alexandra Areia para o Jornal dos Arquitectos, há sensivelmente 2 anos que não falo publicamente do Matadouro e do projecto que desenvolvemos. Conheci desde o início o caminho que o processo seguiu e quis com o meu silêncio que tal se desenvolvesse com toda a normalidade. Como aconteceu.
Faço-o hoje, como modo de encerrar em definitivo este tema do qual não conto voltar a falar, respondendo assim às inúmeras chamadas, mensagens, perguntas e dúvidas que me foram chegando, em particular das pessoas que desde o primeiro momento estiveram do nosso lado e que me merecem este testemunho, sincero, transparente.
Obrigado.

***
Na preparação para a campanha autárquica de 2013 fui contactado pelo Rui Lage para integrarmos uma equipa de reflexão sobre o antigo Matadouro Industrial do Porto, dado que o então candidato do PS, Manuel Pizarro, tinha idealizado para aquele espaço um centro dedicado ao Audio Visual e Novas Tecnologias. O desafio era nós (Garcia-e-Albuquerque), enquanto atelier de Arquitectura, realizarmos uma proposta de intervenção em conjunto com diferentes agentes e críticos da cidade. Para além da grande amizade que me une a Rui Lage, sei ter sido importante o trabalho que já estávamos a implementar na reabilitação do centro da cidade bem como o facto de ter nascido e crescido em Campanhã, e o que essa experiência diária poderia trazer ao debate em plena campanha pós Rui Rio. Tal foi concretizado e apresentado.
Manuel Pizarro não venceu, mas veio a formar coligação com Rui Moreira e, cerca de dois anos depois, contactado pelo próprio, somos convidados para desenvolvermos um projecto que iria transformar o paradigma da zona oriental da cidade: a reconversão do antigo Matadouro Industrial do Porto.

A relação de trabalho com Rui Moreira e Manuel Pizarro foi desde o primeiro momento extraordinária, que se foi fortalecendo e que da minha parte se mantém com ambos até hoje. Os primeiros momentos foram de experiência, conhecimento aprofundado do local e várias reuniões a fim de se encontrar soluções e parceiros de investimento. Tal fez-nos ser – a mim e ao Luís Albuquerque Pinho com quem partilho atelier e autoria nos projectos de Arquitectura – algo mais para além de meros projectistas. Participamos ativamente em reuniões, fomos ao exterior reunir com interessados em investir naquele local, isto porque, talvez acrescida duma ligação sentimental ao local, o desejo de ver concretizado este projecto – tão vital para toda uma zona da cidade há décadas esquecida – esteve sempre muito para além do interesse e vaidade, se quiserem, da concepção arquitectónica.
Após os primeiros meses de trabalho é tomada uma decisão fundamental para a transformação do percurso a seguir: Rui Moreira conclui que é a Cultura que será a grande âncora de toda a intervenção e Paulo Cunha e Silva assume em definitivo a responsabilidade pelo processo.
Inicia-se aí a fase mais extraordinária da minha curta carreira profissional – poucos são os que têm o talento de simplificar e fazer, e deixar fazer, que tinha PCS.

O trabalho era contínuo, por vezes em lugares tão improváveis como um início de noite no Candelabro, ou pouco mais tarde no Passos Manuel, onde nos cruzávamos por mero acaso e, sem burocracias e trejeitos provincianos, falávamos abertamente do futuro do Matadouro.
Esse momento único, irrepetível, terminou abruptamente, ironicamente no dia em que nos reunimos pela última vez em plena nave central do antigo Matadouro Industrial do Porto e fechamos o projecto que, meses mais tarde, foi apresentado na Trienal de Design de Milão e poucos dias depois por Rui Moreira no próprio Matadouro. A esses dois momentos, retratados na publicação ‘Porto Before Porto’, seguiu-se a apresentação aos vereadores em reunião extraordinária de executivo, a par de Nuno Valentim que apresentou o seu projecto para o Mercado do Bolhão – 100 anos depois, Mercado e Matadouro de novo juntos em discussão numa reunião Camarária.

Eis que, pouco tempo depois, e num momento em que estávamos a trabalhar com grande intensidade no desenvolvimento do projecto, voltei a ser contactado para uma reunião, desta vez pelo então adjunto do vereador do urbanismo, Pedro Baganha. Aí, em Julho de 2016, numa sala algo inóspita e apenas com a presença do próprio, foi-me comunicado que o executivo tinha mudado de estratégia para o antigo Matadouro Municipal do Porto e optado por lançar um concurso para que o investimento e exploração fosse de âmbito privado. Compreendi, evidentemente que compreendi. A decisão mantinha de pé todo o essencial, que o local fosse reconvertido e com isso transforme uma zona tão ávida de investimento e consequente revitalização.
Raros são os finais felizes mas, e um pequeno desabafo, neste caso, e por tudo o que nos dispusemos fazer e fizemos, penso que teríamos merecido outro trato. Adiante.

Não escondo que foram umas férias de Verão algo amargas. Percebi aí que tinha estreitado uma ligação emocional com aqueles edifícios que conheço de os percorrer em criança e onde, em segredo, me refugiava sempre que queria afastar-me da vertigem dos dias. Também pelas pessoas com que me cruzava, e cruzo, diariamente na rua, animadas por verem um dos seus envolvido directamente nessa transformação (o nosso atelier é precisamente em frente). Mas tal não fazia sentido, todo esse envolvimento emocional que deixei crescer – até por tudo o que foi acontecendo ao longo desses 3 anos de intensa ligação àqueles cerca de 27000 m2 – foi um erro que cometi, fruto duma imaturidade de quem vive a imaginar algo com uma intensidade desmedida. Como tal tratei de resolver de imediato um problema que eu próprio tinha criado, pelo que o Matadouro ficou desde então como uma questão à margem dos meus dias.
Depois foi o momento de se acertar os termos da rescisão que decorreu amigavelmente e de modo extremamente correcto de ambas as partes. O nosso caminho no processo tinha chegado ao fim com a mesma serenidade com que se iniciou, de bem com todos e com a consciência de termos feito um trabalho do qual nos orgulhamos.

Ontem foi apresentado aquele que será o futuro Matadouro, num projecto conjunto dos grupos de arquitectos Kengo Kuma (JP) e OODA (PT), e investimento com exploração por 30 anos da Mota-Engil.
Tinham-me referido que haveria muito do nosso projecto neste projecto que agora se apresenta. Normal seria, dado que o nosso projecto serviu de base ao concurso. Mas se tal poderia deixar-me satisfeito por se sentir uma marca do nosso esforço naquilo que será construído, tal se desvanece por questões que se colocam ao nível de autoria – mas não será o momento e local de falar sobre isso.
Pelo que vi do que foi apresentado há algo que posso e devo referir, a imagem que irá ter o futuro Matadouro está nos antípodas do que imaginamos, concebemos, pretendíamos e consideramos mais acertado para aquele conjunto arquitetónico que herdamos. Mas tal não invalida que não seja um caminho válido e, quem sabe, mais de acordo com o momento.
Que corra bem, e correrá, é o meu desejo.

O Matadouro tal como o vivemos e imaginamos será apenas uma Memória, tal como o meu envolvimento nesse processo.
E como todas as memórias, efémera.

Longa vida ao Matadouro, longa e prospera vida a Campanhã e às suas gentes.

***

Fim.

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“Porto.“ – Campanhã [+]

25.05.2016

De regresso ao Porto deparo-me com o #2 da ‘Porto.’ sendo este número dedicado a Campanhã, que apelidam de ‘O nosso futuro’.

Ali (aqui) muitas serão as transformações em curso: o interface, as eirinhas, o são joão de deus, a casa ramos pinto, o matadouro,… este último em destaque a partir da página 11.

Ao centro uma grande impressão duma fotografia de Miguel Nogueira, onde estou, numa das naves centrais do Matadouro, ao lado do Luis Albuquerque Pinho, com quem partilho a autoria do projecto de Arquitectura, do Joaquim Guilherme Blanc, desde o primeiro momento a trabalhar no desenvolvimento do programa, e, do Paulo Cunha e Silva, o grande mentor do programa apresentado em Abril último.
Será algo que guardarei com especial carinho.

Ler mais em Porto.pt

Fotografia: Jorge Garcia Pereira / ©2016

Estalagem de Santa Bárbara [+]

24.04.2016

Há coisas que gostávamos de ter só para tomar conta delas.

Estalagem de Santa Bárbara em Oliveira do Hospital (cidade que hoje inaugurou ridículas rotundas).

Arquitetura: Manuel Tainha (1955) / Paisagismo: Gonçalo Ribeiro Telles (1969) / Decoração e Mobiliário: Manuel Tainha e Tierno Bagulho / Engenharias: Jovito Mendes Tainha; Alberto de Lemos Rola / Escultura: Fernando Conduto e João Abel Manta /

Fotografia: Jorge Garcia Pereira / ©2016

Matadouro: Apresentação no Porto [+]

22.04.2016

Ernesto Fortunato Neves Santos nasceu há 70 anos no Bairro S. João de Deus em Campanhã. Hoje é o rosto de toda uma freguesia e o espelho, límpido, da mesma. Com a sua humildade, simplicidade, inteligência, resistência, empenho, tem levado a cabo um trabalho que tem como objectivo número um olhar pela comunidade, pelo bem individual de cada Campanhense. Por ser como é, foi para mim um motivo de enorme orgulho sentir o gosto que tem por ser eu, um dos seus, a fazer parte duma equipa que pensa a nova cidade que ali se irá fazer.

Na apresentação de quarta, emotiva, um dos momentos mais extraordinários para mim foi ver a Emília de Castro (nos anos quarenta serviu na casa do Director Matadouro), atravessar toda a nave onde discursava o Presidente Rui Moreira – que como grande homem e humanista que é, interrompeu para a avisar que poderia tropeçar numa das valas laterais – tendo a sua caminhada terminado só num abraço meu.

Houve muita emoção, lágrimas até. Que o diga o Fernando Vasconcelos que há cerca de 25 anos na companhia da sua extraordinária família trocou, pasme-se, o Rio de Janeiro pela Corujeira. O meu Pai, claro. A família, os meus amigos dali, que ainda hoje continuam a enviar-me mensagens de orgulho e a acreditarem no futuro, dando-me uma responsabilidade e vontade extra.

A todos eles, a todos os que cresceram nas ruas de Campanhã e ali, tal como eu, aprenderam o que é viver em comunidade, respeitando o próximo, humildemente, o meu reconhecido e muito sentido obrigado.

Muito do que sou hoje o devo a vocês e tudo farei para o retribuir.

O trabalho continua.

Ler mais em Porto.pt

Fotografia: Jorge Garcia Pereira / ©2016

Garcia-e-Albuquerque: Aula [+]

21.04.2016

Tarde passada na companhia da turma do Professor Frederik Künzel da Fakultät für Architektur – Hochschule München, para uma aula dada em duas das nossas intervenções no centro do Porto: ‘Formosa 102’ (concluída) e ‘Imprensa Portugueza’ (fase de obra).
Foi bom sentir o interesse e satisfação no final das visitas por parte dos alunos. Para mim uma espécie de regresso a Weimar em pleno Porto.

Obrigado Professor Marco Ginoulhiac (FAUP) pela oportunidade e Oscar Leite pela amabilidade em reabrir alguns dos apartamentos tão cuidadosamente concluídos.

Fotografia: Marco Ginoulhiac

Matadouro: Apresentação no Porto [+]

21.04.2016

Esta imagem é para mim a que melhor espelha o que se viveu ontem na apresentação do projecto do antigo Matadouro no Porto.

Rui Moreira, o rosto da cidade que olha finalmente para Este, num abraço a Ernesto Santos, Presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, feliz e reconhecido por isso. Há décadas que por aqui se esperava por um dia assim.

A população esteve presente, em peso, num final de tarde extremamente belo e emotivo.

Sinto-me profundamente agradecido pelas palavras que ambos proferiram nos seus discursos aumentando, ainda mais, a responsabilidade e vontade de trabalhar.

Fotografia: Miguel Nogueira

Matadouro: Vídeo [+]

15.04.2016

Tem sido um prazer enorme trabalhar com uma equipa multidisciplinar, incrível, liderada pelo Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, com o intuito de redireccionar investimento e atenções para Campanhã (tão minha). Estes cinco minutos, que vos convido a ver e ouvir atentamente, são duma enorme beleza.

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> vídeo Matadouro <

coordenação: Câmara Municipal do Porto, ESAD IDEA Investigação em Design e Arte / arquitetura: Garcia e Albuquerque — arquitectos / direção de arte: Susana Fernando / realização, fotografia e edição: André Tentugal / produção: Joana Cordeiro e João Brochado / câmera: André Tentugal, Miguel da Santa, Skycam Images (imagens aéreas) / texto: Manel Cruz voz: João Paulo Costa / som e música original: André Tentugal / masterização áudio: Bruno Gonçalves / motion design: Michael Marcondes / design gráfico: Inês Nepomuceno /

O Matadouro na ‘TSF’ [+]

15.04.2016

É uma enorme satisfação falar em nome de Campanhã.
A cidade estendida, ‘líquida’ como Paulo Cunha E Silva transformou a de Bauman – e há tanto dele neste projecto – fazendo dela um conceito belo e onde todos fazem parte.
O centro expande-se finalmente a Este, onde, não o esqueçamos, sempre existiu cidade, onde sempre foi também Porto, sentido. Como tal não se trata duma descoberta mas sim de reconhecimento e sinal de respeito.
Merecido.

TSF – Clique aqui para ouvir a reportagem na rádio