Corujeira [+]

Enquanto uma cidade discute minudências e se esgrima sobre o crescimento vigorante e o modelo escolhido, há uma, dentro de si mesma, que estranhamente definha.

Essa cidade é na Corujeira.

Em Maio de 2016 tive o gosto e o privilégio de acompanhar parte do actual executivo camarário a Milão, para aquela que foi a apresentação do ‘Plano A’ para o antigo Matadouro Municipal do Porto, plano esse que, estranhamente, vem sendo apagado de toda e qualquer referência. O modelo (para os mais distraídos), era simples: realizar um investimento público entre 10 a 11 milhões de euros a fim de serem criadas condições de albergar um programa cultural ambicioso bem como pequenas e grandes empresas, no intuito de ocupação, dinamização e rentabilização do espaço. Um modelo que se veio a confirmar que funcionaria, dado o interesse que mais tarde gerou o concurso público de concepção/construção/exploração, apesar do pouco tempo proporcionado para que fossem apresentadas propostas.

Todo este tempo passado há um sentimento de desolação e alguma desesperança em todos aqueles que vão resistindo fazer na Corujeira o seu negócio, alguns na ânsia legítima que algo melhor aconteça a fim de justificar todo o tempo de espera e perdas, tempo esse que tem sido longo demais.
É nesse ambiente que grande percentagem das lojas à volta daquela que será a ‘Praça do Matadouro’ se encontra – tal como comprovado nas fotografias que partilho.

Não tenho a menor dúvida que algo de melhor o futuro reserva para esta zona da cidade, que algo melhor acontecerá e que algo de positivo será feito, por exemplo, no antigo Matadouro Municipal. Mas há muito mais que poderia e pode ser feito na Corujeira a fim de evitar um sentimento que está nos antípodas de toda a restante cidade, bem como, não o esqueço, se não tivesse havido inversão de estratégia política para um tão importante equipamento, hoje a Corujeira já estaria a acompanhar o crescimento do resto da cidade e, tal como a maioria do país, a usufruir dum momento e conjectura única.

A todos aqueles que procuram um espaço para o seu negócio ou projecto têm, na Corujeira, um lugar a ter em conta.
Há muitos espaços disponíveis e tanto para se fazer.

#corujeira #campanhã #porto

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Pavilhão Rosa Mota [+]

Não me inquieta o nome daquele que para a cidade sempre foi e será o ‘Palácio de Cristal’, menos ainda quem tem a fonte de letra maior no anúncio do mesmo, transformando-se assim num fait-divers algo que tem no seu âmago uma postura arrogante, desrespeituosa e tristemente cada vez mais recorrente.

Nesta história – a avaliar por ser verdadeira a versão da atleta Rosa Mota -, o que me parece grave e condenável é a mudança do compromisso assumido pelo promotor com a própria, não tanto pelo resultado e tema em si como referi anteriormente, mas porque tem sido recorrente a falta de palavra e compromisso numa sociedade cada vez mais vergada ao grande mercado que, sob o lema ‘pago logo posso’, vai fazendo e desfazendo com o alto patrocínio de quem nos deveria governar e zelar pelo interesse comum.

Diria tratar-se neste caso de elegância e educação, ou, mais concretamente, da falta dela.

Não é só no Porto, é no país, na Europa, no mundo.

#porto

Hotel na Praia da Memória [+]

O Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, anunciou na primeira legislatura que iria avançar um plano de demolições de construções ao longo da costa Portuguesa. Medida que saúdo.
Hoje toma de novo posse para mais quatro anos de governação, pelo que seria bom que, ao longo de todo o seu mandato, não estivéssemos a investir na demolição de construções antigas e a construir outras novas para mais tarde, um outro Ministro, proceder à sua demolição.

Este processo de licenciamento é, no mínimo, incompreensível.