Estação de São Bento [+]

Não tenho uma visão a preto e branco de gestão da cidade, daí que, de acordo com as características e modelos apresentados, vejo possibilidade de se ocupar e gerir de diferente modo diferentes lugares.

Ainda há dias, numa entrevista na Rádio Manobras, referia que, se por um lado compreendia o modelo de concessão do Palácio de Cristal, por outro defendia investimento público quando se trate de edifícios ou lugares que devam gerar transformação económica, cultural e social na geografia onde se encontram, como o caso, que não se veio a confirmar, do Antigo Matadouro Industrial do Porto.

Ora, o caso que muito se tem falado na ala Sul da Estação de S. Bento, é um daqueles espaços que a cidade nunca o utilizou devidamente – sendo aliás um lugar bem insalubre à conta desse mesmo abandono -, pelo que não entendo o que tanto choca nesta intervenção e na sua concessão.

O projecto para ali previsto, da autoria Eduardo Souto de Moura, dá-me, pela sua leveza e sensibilidade, as garantias de que aquela zona ficará melhor qualificada, e, quanto ao promotor, penso que assustará mais a alguns o nome que o uso que ali fará.

#urbanismo #porto

https://www.publico.pt/2019/11/18/local/noticia/torre-estacao-sao-bento-marques-silva-desenhou-1911-1893931?fbclid=IwAR1gAFIhNPAA0ijhutoB1iHuBdUSnOizzFS6rrp9NmAgKRNEXAw2f9SHbUQ

Bico d’Obra #1 [+]

Há dias tive o prazer de conversar na companhia do Miguel Januário sobre a actualidade do nosso Porto, numa entrevista conduzida por Hélder Sousa.
Passa hoje, às 23h00, na Rádio Manobras.

Rádio Manobras /
91.5 FM ou on-line /
Programa Bico d’Obra /
Repete quinta-feira, às 18h00, e quarta, às 11h00 /

Lordelo do Ouro / Aleixo [+]

Onde moro (Fluvial/Lordelo do Ouro), o ambiente urbano e social deteriorou-se drasticamente desde o fecho e demolição do bairro do Aleixo.
Com isso o lixo na zona acentuou-se tornando-se num problema ainda mais grave – não se tratando neste caso apenas dum grave problema para o meu ambiente, mas, também, dum grave problema de saúde pública.
É, para mim, a prova visível que não houve um trabalho capaz ao nível do acompanhamento social duma comunidade extremamente débil e delicada no processo de desmantelamento do bairro, onde o problema estava mais circunscrito, logo, de mais fácil acção. Em Lisboa, por exemplo, a criação de dois espaços para consumo tem trazido resultados muito positivos.

Onde trabalho (Corujeira/Campanhã), o panorama do ponto de vista de limpeza do espaço público não é igualmente agradável. A uma parada de táxis que, todas as madrugadas, transforma a rua numa instalação sanitária, acresce uma população que ainda não aprendeu para que serve um contentor ou um caixote do lixo, sendo, infelizmente, um problema transversal a toda a cidade, a todo o país.

A limpeza e organização do espaço público é algo para o qual sou extremamente sensível, pelo que viver no Porto tem-me sido, por tudo isto, cada vez mais penoso.

Há, no entanto, um grupo de homens e mulheres que merecem todo o meu reconhecimento e gratidão: os/as cantoneiros/as, que vão, dentro do possível, mitigando algo que coloca o Porto ao nível das piores cidades Europeias no que a limpeza diz respeito, sendo um ranking do qual insistimos em fazer parte e do qual, estou certo, ninguém se orgulhará.

A culpa é, acima de tudo, da nossa pouca cultura e falta de urbanidade, sendo estranha a dificuldade que se assiste em evoluirmos.

#ambiente #urbanismo #porto

Paulo Cunha e Silva [+]

Há precisamente quatro anos a cidade interrompeu, abruptamente, um dos mais felizes e vibrantes ciclos da sua história recente.

Depois da esperança que a ‘Capital Europeia da Cultura’ trouxe à cidade do Porto no início deste século, transformando-a, a cidade viveu 12 anos dum cinzentismo sem precedentes. Até que, em 2013, Paulo Cunha E Silva – a aposta de Rui Moreira para a Cultura – transformou, em apenas dois anos, o modo como ainda hoje vivemos a própria cidade.

Foram, indiscutivelmente, os dois anos mais felizes que vivi o Porto.

Ficou essa energia contagiante, bem como uma série de estruturas que perduram com enorme sucesso e vitalidade, tais como a devolução à cidade do ‘Rivoli Teatro-Municipal do Porto’, a ‘Galeria Municipal do Porto’, o ‘Festival Dias-Da-Dança’, o ‘Cultura em Expansão’, o ‘Fórum do Futuro’ – que teve este ano uma das suas melhores edições -, sendo, a meu ver, os principais responsáveis desse legado Tiago Guedes e Joaquim Guilherme Blanc, bem como, evidentemente, o próprio Presidente que assumiu à data o pelouro da Cultura, Rui Moreira.

Fica o seu legado, bem como a memória que dele transportamos, cabendo a cada um de nós fazer aquilo que nos for possível.

 

Fotografia: Miguel Nogueira