Poluição do Rio Ferreira [+]

O facto do poder local em Portugal ser extremamente compartimentado (dividido que está em pequenas zonas administrativas), e as Áreas Metropolitanas terem perdido influência (quiça para justificar a regionalização), a que se soma uma série de entidades regionais e nacionais que pouco ou nada fazem (como é o caso da Parque das Serras do Porto), resulta num território extraordinariamente mal tratado e em contínua destruição. Tal, não daria pena, não fosse o facto de o nosso território ser, sem acção irresponsável humana, tão rico e diversificado. Mas é. Ou melhor, era.O Porto é rodeado por interessantes serras e rios, todos eles ao total abandono, ou tomados de assalto por interesses ligados à indústria, em particular da celulose. O Vale do Couce, atravessado pelo Rio Ferreira, é um desses paraísos naturais totalmente destruído, sendo um espelho do que refiro, da falta de poder e interesse pela riqueza ambiental que poderíamos ter e usufruir. Esta fotografia, captada por Pedro Quezada, com quem desde miúdo percorri grande parte daquele território, deveria envergonhar qualquer responsável político, sendo um reflexo da nossa pouca cultura.A monocultura do eucalipto, bem como a transformação dos nossos canais de água em esgotos industriais, seguem dentro de momentos.

Prémios de Turismo [+]

Portugal não é o melhor destino turístico, nenhum país que trata o território desta maneira o será. E, convenhamos, nunca o foi.Estes prémios e rankings – cujos critérios sabe-se que, não poucas vezes, são pagos -, iludem-nos para uma realidade que não existe, servindo para mera promoção e propaganda de agentes e entidades ligadas a um sector actualmente em crise. Por exemplo, com a falta de turistas, as principais cidades portuguesas se esvaziaram de pessoas e de interesse, colocando a nu a sua real dinâmica enquanto centros de vivência, de crítica, económica, social e cultural, que é, agora mais perceptível, pobre.Andamos entretidos e inebriados com a surpresa que o turismo trouxe às nossas cidades, turismo esse responsável pela valorização, não poucas vezes, de aspectos que fomos deixando cair – sendo o edificado o seu exemplo mais evidente.No entanto, continuamos pelo meio sem debater, pensar e concretizar estruturas e modelos de cidade que preservem identidade e vida própria para além do turista que vem e vai. Com o momento actual político, promovido por soundbytes, likes e polarização inflamada das redes sociais, a massa crítica empobreceu. O debate sobre cidade é praticamente inexistente, sendo aparentemente tudo e só Economia. Com todos os aspectos negativos conhecidos de uma pandemia, um aspecto positivo destes momentos poderia ser o tempo que a mesma nos dá para diminuir ritmos, expôr problemas, reflectir, e concluir onde se pode melhorar.Contudo, e a cada partilha de um qualquer ranking que vejo, concluo que continuaremos a seguir o modelo de sempre, aguardando apenas que os aviões voltem a voar.

Publico.pt