Avenida Brasil e Montevideo [+]

Há medidas subtis que se tomam para resolver grandes problemas. A CM Porto, em vez de insistir na ideia tonta dos drones, optou, em articulação com a CM Matosinhos, por restringir o acesso automóvel na marginal ao fim-de-semana. Uma medida simples, que se saúda, e que estou seguro que se irá manter.

Portugal encontra-se ao nível da mobilidade extremamente atrasado face aos restantes países Europeus, tanto ao nível de território como urbano, bastando estar-se atento a Espanha para se encontrar um excelente exemplo a seguir. Lisboa tem dado alguns sinais nesse sentido, mas ténues e lentos, deixando-se bloquear pela pressão pública onde o automóvel ainda se sobrepõe a todos os interesses. No Porto, a mobilidade tem sido, a meu ver, onde o actual executivo mais dificuldades tem demonstrado, ao contrário de outras áreas de acção onde se tem notado um esforço de inovação.

Intervenções datadas como a que actualmente se está a operar na Avenida Fernão Magalhães, arruamentos com constantes alterações de orientação de sentido – por vezes têm-se dificuldade em perceber qual a última marcação do piso -, pouca acção na restrição do automóvel, permissão excessiva de veículos turísticos (que alívio tem sido andar pela cidade sem sightseeing bus e tuk-tuks), etc,… têm demonstrado que há muita coisa a mudar no modo de definir e pensar mobilidade no Porto.
Uma das intervenções que mais polémica gerou, sendo unanime a opinião de não ter corrido bem, foi a realizada ao longo das Avenidas Montevideo e Brasil que, os fins-de-semana, têm provado que se poderia reduzir o trânsito ali existente nos restantes dias da semana. Uma medida tão simples como esta que apresento, na qual se assumiria em definitivo que passaria a haver uma faixa de rodagem automóvel com apenas uma via em cada sentido, permitiria a criação de um corredor de árvores entre a actual ciclovia e o tráfego automóvel. Ganhar-se-ia um importante corredor verde e área permeável (é impressionante a extensão de área pavimentada entre as praias e a primeira linha de construção), bem como se aumentaria, e muito, a segurança na ciclovia. Quanto à desculpa do costume que tal provocaria constrangimentos ao trânsito pelo ritmo dos transportes públicos, e apesar de haver alternativas de desenho nas zonas de paragem, eu respondo: mais constrangimentos criam os que não usam os transportes públicos!
(penso sempre nisso quando dirijo atrás de um autocarro).

#mobilidade #porto

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Desde Casa #01 [+]

Em tempo de quarentena a ‘Architectural Affairs’, pela voz de Andreia Garcia, promoverá tertúlias sobre as inquietações da práctica e disciplina de Arquitectura nesta época. Todos os dias, pelas 22h00, na conta de Instagram da @architecturalaffairs.

Participarei no primeiro episódio, sábado, 21 de Março.

 

‘Porto por Ponto.’ [+]

Uma das novidades para 2020 será o programa ‘Porto por Ponto.’ na Rádio Manobras, que se pretende ser um momento de reflexão, elogio e crítica de tudo o que se vai fazendo, ou deixando por fazer, na cidade do Porto.

Ontem gravámos o primeiro programa, no qual fizemos um balanço do ano que agora termina. Irá para o ar na primeira semana de Janeiro.

O programa terá uma frequência semanal, contando, para além da minha, com a participação de Ana Carolina, Luís de Sousa e Miguel Januário, com condução de Hélder Sousa.

Acompanhem o programa em: http://www.porponto.pt

📷 Miguel Januário
#rádiomanobras #porto

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Lapa e Lordelo do Ouro [+]

Dos projectos ontem lançados, que se saúdam, destacaria a criação de habitação a renda acessível na freguesia de Lordelo do Ouro que, se vier a ser alvo duma competente reflexão arquitectónica, urbana e social, terá um efeito positivo na cidade envolvente que, como sabemos, tem apresentado gravíssimos problemas ao nível do tráfico de droga, entre outros.

O sucesso desta intervenção só será como tal possível se for multidisciplinar, caso contrário, e como tem sido frequente, tratar-se-á de mais um caso isolado que apenas mitigará o problema de habitação de algumas famílias.

Rendas acessíveis [+]

A forma eficaz de equilibrar o mercado imobiliário é oferecer habitação a valor acessível, tal só possível com um forte e responsável investimento público e/ou através de cooperativas de habitação, que por cá nunca tiveram uma longa e saudável longevidade. Ambas têm falhado a toda a linha, ora por um Estado pouco ágil e empenhado, ora por Municípios com pouca visão de futuro.

Temo que, uma vez mais, quando se conseguir responder, seja um pouco tarde, havendo muitos portugueses que entretanto se vão endividando acima do valor que o seu imóvel valerá – de tal sobrevalorizado que actualmente o mercado se encontra.

UIVO #9 [+]

Na próxima sexta-feira, dia 6, inaugura a 9ª edição da ‘Uivo – Mostra de Ilustração da Maia’, na qual tenho a honra de participar a convite da Cláudia Melo, numa edição sob o tema ‘território’.

Estarei na belíssima companhia de Ana Aragão, Ana Luisa Garcia, Ana Seixas (Pato Lógico), Andrés Sandoval (Pato Lógico), Catarina Sobral (Pato Lógico), Clara Não, Cláudia Salgueiro, Daniel Moreira, David Penela, Elleonor, Fahr (Filipa Frois Almeida e Reis Hugo), Federico Babina, Francisco Laranjo, Joana Estrela, José Miguel Cardoso, Julio Dolbeth, Karen Lacroix, Leonor Violeta; Luís Cepa, Manuel Marsol (Pato Lógico), Mariana Malhão, Martinha Maia, Pedro Cavaco Leitão, Rodrigo Carvalho e Ana Duarte, Roger Ycaza (Pato Lógico), Rui Vitorino Santos, EF Sama, Sphiza, Susa Monteiro (Pato Lógico) e Vasco Mourão.

Uivo 9 – Mostra de Ilustração da Maia /
Curadoria: Cláudia Melo /
Organização: Câmara Municipal da Maia – Pelouro da Cultura /
Fórum da Maia /
De 6 de Dezembro a 23 de Fevereiro /
Entrada livre /

#uivo #ilustração #cmmmaia #maia

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Estação de São Bento [+]

Não tenho uma visão a preto e branco de gestão da cidade, daí que, de acordo com as características e modelos apresentados, vejo possibilidade de se ocupar e gerir de diferente modo diferentes lugares.

Ainda há dias, numa entrevista na Rádio Manobras, referia que, se por um lado compreendia o modelo de concessão do Palácio de Cristal, por outro defendia investimento público quando se trate de edifícios ou lugares que devam gerar transformação económica, cultural e social na geografia onde se encontram, como o caso, que não se veio a confirmar, do Antigo Matadouro Industrial do Porto.

Ora, o caso que muito se tem falado na ala Sul da Estação de S. Bento, é um daqueles espaços que a cidade nunca o utilizou devidamente – sendo aliás um lugar bem insalubre à conta desse mesmo abandono -, pelo que não entendo o que tanto choca nesta intervenção e na sua concessão.

O projecto para ali previsto, da autoria Eduardo Souto de Moura, dá-me, pela sua leveza e sensibilidade, as garantias de que aquela zona ficará melhor qualificada, e, quanto ao promotor, penso que assustará mais a alguns o nome que o uso que ali fará.

#urbanismo #porto

https://www.publico.pt/2019/11/18/local/noticia/torre-estacao-sao-bento-marques-silva-desenhou-1911-1893931?fbclid=IwAR1gAFIhNPAA0ijhutoB1iHuBdUSnOizzFS6rrp9NmAgKRNEXAw2f9SHbUQ