Matadouro: Apresentação no Porto [+]

22.04.2016

Ernesto Fortunato Neves Santos nasceu há 70 anos no Bairro S. João de Deus em Campanhã. Hoje é o rosto de toda uma freguesia e o espelho, límpido, da mesma. Com a sua humildade, simplicidade, inteligência, resistência, empenho, tem levado a cabo um trabalho que tem como objectivo número um olhar pela comunidade, pelo bem individual de cada Campanhense. Por ser como é, foi para mim um motivo de enorme orgulho sentir o gosto que tem por ser eu, um dos seus, a fazer parte duma equipa que pensa a nova cidade que ali se irá fazer.

Na apresentação de quarta, emotiva, um dos momentos mais extraordinários para mim foi ver a Emília de Castro (nos anos quarenta serviu na casa do Director Matadouro), atravessar toda a nave onde discursava o Presidente Rui Moreira – que como grande homem e humanista que é, interrompeu para a avisar que poderia tropeçar numa das valas laterais – tendo a sua caminhada terminado só num abraço meu.

Houve muita emoção, lágrimas até. Que o diga o Fernando Vasconcelos que há cerca de 25 anos na companhia da sua extraordinária família trocou, pasme-se, o Rio de Janeiro pela Corujeira. O meu Pai, claro. A família, os meus amigos dali, que ainda hoje continuam a enviar-me mensagens de orgulho e a acreditarem no futuro, dando-me uma responsabilidade e vontade extra.

A todos eles, a todos os que cresceram nas ruas de Campanhã e ali, tal como eu, aprenderam o que é viver em comunidade, respeitando o próximo, humildemente, o meu reconhecido e muito sentido obrigado.

Muito do que sou hoje o devo a vocês e tudo farei para o retribuir.

O trabalho continua.

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Fotografia: Jorge Garcia Pereira / ©2016

Garcia-e-Albuquerque: Aula [+]

21.04.2016

Tarde passada na companhia da turma do Professor Frederik Künzel da Fakultät für Architektur – Hochschule München, para uma aula dada em duas das nossas intervenções no centro do Porto: ‘Formosa 102’ (concluída) e ‘Imprensa Portugueza’ (fase de obra).
Foi bom sentir o interesse e satisfação no final das visitas por parte dos alunos. Para mim uma espécie de regresso a Weimar em pleno Porto.

Obrigado Professor Marco Ginoulhiac (FAUP) pela oportunidade e Oscar Leite pela amabilidade em reabrir alguns dos apartamentos tão cuidadosamente concluídos.

Fotografia: Marco Ginoulhiac

Matadouro: Apresentação no Porto [+]

21.04.2016

Esta imagem é para mim a que melhor espelha o que se viveu ontem na apresentação do projecto do antigo Matadouro no Porto.

Rui Moreira, o rosto da cidade que olha finalmente para Este, num abraço a Ernesto Santos, Presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, feliz e reconhecido por isso. Há décadas que por aqui se esperava por um dia assim.

A população esteve presente, em peso, num final de tarde extremamente belo e emotivo.

Sinto-me profundamente agradecido pelas palavras que ambos proferiram nos seus discursos aumentando, ainda mais, a responsabilidade e vontade de trabalhar.

Fotografia: Miguel Nogueira

Matadouro: Vídeo [+]

15.04.2016

Tem sido um prazer enorme trabalhar com uma equipa multidisciplinar, incrível, liderada pelo Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, com o intuito de redireccionar investimento e atenções para Campanhã (tão minha). Estes cinco minutos, que vos convido a ver e ouvir atentamente, são duma enorme beleza.

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> vídeo Matadouro <

coordenação: Câmara Municipal do Porto, ESAD IDEA Investigação em Design e Arte / arquitetura: Garcia e Albuquerque — arquitectos / direção de arte: Susana Fernando / realização, fotografia e edição: André Tentugal / produção: Joana Cordeiro e João Brochado / câmera: André Tentugal, Miguel da Santa, Skycam Images (imagens aéreas) / texto: Manel Cruz voz: João Paulo Costa / som e música original: André Tentugal / masterização áudio: Bruno Gonçalves / motion design: Michael Marcondes / design gráfico: Inês Nepomuceno /

O Matadouro na ‘TSF’ [+]

15.04.2016

É uma enorme satisfação falar em nome de Campanhã.
A cidade estendida, ‘líquida’ como Paulo Cunha E Silva transformou a de Bauman – e há tanto dele neste projecto – fazendo dela um conceito belo e onde todos fazem parte.
O centro expande-se finalmente a Este, onde, não o esqueçamos, sempre existiu cidade, onde sempre foi também Porto, sentido. Como tal não se trata duma descoberta mas sim de reconhecimento e sinal de respeito.
Merecido.

TSF – Clique aqui para ouvir a reportagem na rádio

Porto Before Porto [+]

14.04.2016

Levar o Porto à Trienal de Milão já seria um facto relevante. Mas, dentro do Porto, levar especificamente Campanhã, é que me parece verdadeiramente notável.

Vivemos um momento único na cidade.
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> publicação Porto Before Porto <
coordenação editorial: Câmara Municipal do Porto, ESAD IDEA Investigação em Design e Arte
arquitetura: Garcia & Albuquerque – arquitectos
contributos: João Laia, Jorge Garcia Pereira, Luís Albuquerque Pinho, Valter Hugo Mãe
fotografia: Inês d’Orey
coordenação executiva: Andreia Garcia
design gráfico: Inês Nepomuceno
tradução: TTM Traduções Técnicas do Minho
revisão inglesa: John Bradford

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 Fotografia: Jorge Garcia Pereira / ©2016

O Matadouro no ‘Público’ [+]

14.04.2016

Por Patrícia Carvalho (em Milão)

As velhas estruturas do antigo Matadouro, abandonadas há décadas, vão ser recuperadas e albergarão museus, arte, estúdios e empresas criativas e tecnológicas.

A Biblioteca del Progetto, no Palácio da Trienal de Milão, em Itália, encheu-se para ouvir os responsáveis da Câmara do Porto explicar o que pretendem fazer com o antigo Matadouro Industrial da cidade. O projecto, desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, e em que a parte de arquitectura ficou a cargo do gabinete Garcia & Albuquerque – Arquitectos, prevê a construção de dois edifícios novos no complexo e novas ligações à zona do Estádio do Dragão, mas a ideia subjacente ao local descrito pelo presidente Rui Moreira como “o grande projecto” do seu executivo, é a recuperação e manutenção de grande parte da construção original.

No pequeno caderno de apresentação que levou a Milão, denominado apenas em inglês Porto Before Porto, descreve-se ao pormenor o que irá nascer no grande complexo instalado em 29 mil metros quadrados de terreno e que estava ao abandono há décadas. Na 21a edição da trienal centrada no design, coube a Guilherme Blanc, o adjunto de Moreira para a Cultura, descrever as diferentes componentes que farão do Matadouro “o projecto estrutural” capaz de sintetizar as três componentes essenciais do actual executivo: cultura, economia e coesão social. Ou, como diz Rui Moreira no texto de apresentação do projecto, que farão do Matadouro o local onde a sustentabilidade ambicionada pelo executivo se manifeste “com a economia a suportar a coesão social e ambas a alimentarem-se na cultura”.

Por isso é que o programa já desenhado para o espaço prevê a instalação da mais variadas valências no local. Além da inclusão do Museu da Indústria num dos espaços do complexo, o Matadouro terá uma zona especificamente dedicada à reserva de colecções privadas de arte contemporânea, com uma pequena área expositiva e uma zona exclusiva para residências artísticas, que incluirá estúdios com área de residência para os artistas convidados e de apresentação dos seus trabalhos. Há uma vasta área para a instalação de empresas criativas e tecnológicas, destinada a grupos económicos e a médias empresas, nacionais e internacionais, e estúdios de produção e gravação para as áreas de cinema, música e televisão, com parte deles a poderem ser arrendados e alguns espaços voltados para projectos pedagógicos e emergentes. Está prevista uma zona para a preservação e demonstração de artes e ofícios tradicionais, um laboratório de gastronomia dedicado à cozinha Atlântica (com um restaurante associado) e um espaço expressamente dedicado a projectos que cruzem a cultura com a área social, envolvendo a população de Campanhã, que funcionará como “sede” do programa camarário Cultura em Expansão. Sobra a grande nave multiusos, a área central do complexo, que atravessa todo o edifício principal,  e que poderá ser utilizada para os mais diferentes fins, sendo dotada de uma plateia retráctil e equipamento de projecção. E, por fim, o pólo desportivo, com um campo multiusos e respectivas zonas de apoio, destinado “aos colaboradores dos projectos instalados no Matadouro”, mas aberto ao público.

Esta zona desportiva ficará instalada num dos dois novos edifícios que serão construídos no interior do complexo, no extremo norte do terreno. O outro, de menores dimensões, será para apoio e armazenamento.

Mas é o primeiro que os arquitectos descrevem, em Porto Before Porto, como “muito mais ambicioso” e que será bem visível da Via de Cintura Interna (VCI), na expectativa de diminuir “o impacto negativo dos diferentes pavilhões” do Mercado Abastecedor, logo ali ao lado. É também a partir desta nova construção que se propõe “uma ligação directa (…) à entrada superior da estação de metro, por cima da VCI, ideia já prevista no Plano de Pormenor da Antas” e que nunca foi concretizada. No caderno entregue em Milão defende-se que “esta privilegiada passagem e ligação ao metro servirá não só quem venha visitar os espaços culturais que se encontrarão neste local, ou quem trabalhe nos diferentes  edifícios destinados a empresas, mas igualmente a população residente na zona da Corujeira, promovendo o atravessamento e abertura deste espaço à cidade envolvente, gerando com isso maior dinâmica e inclusão”.

Os arquitectos propõem ainda, no outro extremo do complexo, a Sul, um atravessamento também pedonal entre a VCI e o caminho de ferro “paralelo a um já existente mas deficitário”.

O arquitecto Jorge Garcia Pereira, que desenvolveu o projecto com Luís Albuquerque, considera que este edifício novo e a ligação que irá permitir ao metro, estádio e à oferta de estacionamento que aí existe, é “fundamental” para o sucesso do futuro Matadouro, ainda que a parte mais exigente do trabalho desenvolvido tenha sido o compromisso de manter “grande parte da construção original”. Já a parte mais entusiasmante, diz o arquitecto, é o questionamento constante da população sobre o projecto e o seu desenvolvimento. “A dinâmica é fantástica, o nosso gabinete fica junto ao Matadouro e as pessoas estão sempre a perguntar como está a andar e quando arrancam as obras”, disse ao PÚBLICO.

O projecto global deverá custar cerca de 10 milhões de euros e a Câmara do Porto tem a expectativa que o concurso público para a sua concretização seja lançado no próximo ano, podendo as obras avançar antes do final do actual mandato. O projecto do Matadouro Industrial começou a ser desenvolvido pelo vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva, que morreu em Novembro do ano passado.

A concretizarem-se os planos agora apresentados, o futuro Matadouro, além de espaço de trabalho, cultura e desenvolvimento social, será também um local onde se poderá ir para apreciar um pouco mais de verde, naquela zona da cidade. É que o projecto prevê a demolição parcial de um dos edifícios para “a criação de um pequeno bosque que irá irromper, do lado nascente, parte do edifício principal” e, além disso algumas das coberturas dos edifícios serão ajardinadas, estando ainda previstas “novas zonas de plantação de árvores de grande porte”.

Após a apresentação do projecto, apresentado no âmbito de uma presença mais alargada a cargo da ESAD, houve um pequeno debate, moderado por Guta Moura Guedes, em que a responsável pela Bienal de Design de Lisboa perguntou a Rui Moreira se estava preparado para ter de acompanhar de forma constante o futuro Matadouro. “A cultura é sempre passado, presente e futuro. Tem a percepção que tem que tomar conta deste projecto?”, questionou. Moreira garantiu que sim, por considerar, antes de tudo, que o modelo será “sustentável”, pela forte componente empresarial que encerra.

 

O PÚBLICO viajou a convite da Câmara do Porto

Ler o artigo completo no Público

Matadouro na Trienal de Design de Milão [+]

14.04.2016

MATADOURO: o projecto e o programa.

Arquitectura: Garcia & Albuquerque – Arquitectos (Jorge Garcia Pereira e Luís Albuquerque Pinho).
Colaboração: Ana Simões, Joana Figueiredo, Nadia Santos, Sara Guiomar e Sofia Moreira.
Rendering: Manuel Oliveira e Simão Oliveira.
Vídeo: André Tentugal e Susana Fernando.
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

Agradecimentos: Andreia Garcia, Inês Napomuceno e Margarida Antunes (ESAD). Toda a nossa equipa do atelier: Filipa Neves, Francisco Amoedo e Pinto, Marina Risto e Mariana de Almeida Santos, que diariamente estão connosco a trabalhar e a tornar tudo possível.

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Imagem: Garcia-e-Albuquerque Arquitectos / ©2016