Desde Casa #01 [+]

Em tempo de quarentena a ‘Architectural Affairs’, pela voz de Andreia Garcia, promoverá tertúlias sobre as inquietações da práctica e disciplina de Arquitectura nesta época. Todos os dias, pelas 22h00, na conta de Instagram da @architecturalaffairs.

Participarei no primeiro episódio, sábado, 21 de Março.

 

Lapa e Lordelo do Ouro [+]

Dos projectos ontem lançados, que se saúdam, destacaria a criação de habitação a renda acessível na freguesia de Lordelo do Ouro que, se vier a ser alvo duma competente reflexão arquitectónica, urbana e social, terá um efeito positivo na cidade envolvente que, como sabemos, tem apresentado gravíssimos problemas ao nível do tráfico de droga, entre outros.

O sucesso desta intervenção só será como tal possível se for multidisciplinar, caso contrário, e como tem sido frequente, tratar-se-á de mais um caso isolado que apenas mitigará o problema de habitação de algumas famílias.

Rendas acessíveis [+]

A forma eficaz de equilibrar o mercado imobiliário é oferecer habitação a valor acessível, tal só possível com um forte e responsável investimento público e/ou através de cooperativas de habitação, que por cá nunca tiveram uma longa e saudável longevidade. Ambas têm falhado a toda a linha, ora por um Estado pouco ágil e empenhado, ora por Municípios com pouca visão de futuro.

Temo que, uma vez mais, quando se conseguir responder, seja um pouco tarde, havendo muitos portugueses que entretanto se vão endividando acima do valor que o seu imóvel valerá – de tal sobrevalorizado que actualmente o mercado se encontra.

UIVO #9 [+]

Na próxima sexta-feira, dia 6, inaugura a 9ª edição da ‘Uivo – Mostra de Ilustração da Maia’, na qual tenho a honra de participar a convite da Cláudia Melo, numa edição sob o tema ‘território’.

Estarei na belíssima companhia de Ana Aragão, Ana Luisa Garcia, Ana Seixas (Pato Lógico), Andrés Sandoval (Pato Lógico), Catarina Sobral (Pato Lógico), Clara Não, Cláudia Salgueiro, Daniel Moreira, David Penela, Elleonor, Fahr (Filipa Frois Almeida e Reis Hugo), Federico Babina, Francisco Laranjo, Joana Estrela, José Miguel Cardoso, Julio Dolbeth, Karen Lacroix, Leonor Violeta; Luís Cepa, Manuel Marsol (Pato Lógico), Mariana Malhão, Martinha Maia, Pedro Cavaco Leitão, Rodrigo Carvalho e Ana Duarte, Roger Ycaza (Pato Lógico), Rui Vitorino Santos, EF Sama, Sphiza, Susa Monteiro (Pato Lógico) e Vasco Mourão.

Uivo 9 – Mostra de Ilustração da Maia /
Curadoria: Cláudia Melo /
Organização: Câmara Municipal da Maia – Pelouro da Cultura /
Fórum da Maia /
De 6 de Dezembro a 23 de Fevereiro /
Entrada livre /

#uivo #ilustração #cmmmaia #maia

Uivo-9_cartaz.jpg

Estação de São Bento [+]

Não tenho uma visão a preto e branco de gestão da cidade, daí que, de acordo com as características e modelos apresentados, vejo possibilidade de se ocupar e gerir de diferente modo diferentes lugares.

Ainda há dias, numa entrevista na Rádio Manobras, referia que, se por um lado compreendia o modelo de concessão do Palácio de Cristal, por outro defendia investimento público quando se trate de edifícios ou lugares que devam gerar transformação económica, cultural e social na geografia onde se encontram, como o caso, que não se veio a confirmar, do Antigo Matadouro Industrial do Porto.

Ora, o caso que muito se tem falado na ala Sul da Estação de S. Bento, é um daqueles espaços que a cidade nunca o utilizou devidamente – sendo aliás um lugar bem insalubre à conta desse mesmo abandono -, pelo que não entendo o que tanto choca nesta intervenção e na sua concessão.

O projecto para ali previsto, da autoria Eduardo Souto de Moura, dá-me, pela sua leveza e sensibilidade, as garantias de que aquela zona ficará melhor qualificada, e, quanto ao promotor, penso que assustará mais a alguns o nome que o uso que ali fará.

#urbanismo #porto

https://www.publico.pt/2019/11/18/local/noticia/torre-estacao-sao-bento-marques-silva-desenhou-1911-1893931?fbclid=IwAR1gAFIhNPAA0ijhutoB1iHuBdUSnOizzFS6rrp9NmAgKRNEXAw2f9SHbUQ

Bico d’Obra #1 [+]

Há dias tive o prazer de conversar na companhia do Miguel Januário sobre a actualidade do nosso Porto, numa entrevista conduzida por Hélder Sousa.
Passa hoje, às 23h00, na Rádio Manobras.

Rádio Manobras /
91.5 FM ou on-line /
Programa Bico d’Obra /
Repete quinta-feira, às 18h00, e quarta, às 11h00 /

Lordelo do Ouro / Aleixo [+]

Onde moro (Fluvial/Lordelo do Ouro), o ambiente urbano e social deteriorou-se drasticamente desde o fecho e demolição do bairro do Aleixo.
Com isso o lixo na zona acentuou-se tornando-se num problema ainda mais grave – não se tratando neste caso apenas dum grave problema para o meu ambiente, mas, também, dum grave problema de saúde pública.
É, para mim, a prova visível que não houve um trabalho capaz ao nível do acompanhamento social duma comunidade extremamente débil e delicada no processo de desmantelamento do bairro, onde o problema estava mais circunscrito, logo, de mais fácil acção. Em Lisboa, por exemplo, a criação de dois espaços para consumo tem trazido resultados muito positivos.

Onde trabalho (Corujeira/Campanhã), o panorama do ponto de vista de limpeza do espaço público não é igualmente agradável. A uma parada de táxis que, todas as madrugadas, transforma a rua numa instalação sanitária, acresce uma população que ainda não aprendeu para que serve um contentor ou um caixote do lixo, sendo, infelizmente, um problema transversal a toda a cidade, a todo o país.

A limpeza e organização do espaço público é algo para o qual sou extremamente sensível, pelo que viver no Porto tem-me sido, por tudo isto, cada vez mais penoso.

Há, no entanto, um grupo de homens e mulheres que merecem todo o meu reconhecimento e gratidão: os/as cantoneiros/as, que vão, dentro do possível, mitigando algo que coloca o Porto ao nível das piores cidades Europeias no que a limpeza diz respeito, sendo um ranking do qual insistimos em fazer parte e do qual, estou certo, ninguém se orgulhará.

A culpa é, acima de tudo, da nossa pouca cultura e falta de urbanidade, sendo estranha a dificuldade que se assiste em evoluirmos.

#ambiente #urbanismo #porto

Paulo Cunha e Silva [+]

Há precisamente quatro anos a cidade interrompeu, abruptamente, um dos mais felizes e vibrantes ciclos da sua história recente.

Depois da esperança que a ‘Capital Europeia da Cultura’ trouxe à cidade do Porto no início deste século, transformando-a, a cidade viveu 12 anos dum cinzentismo sem precedentes. Até que, em 2013, Paulo Cunha E Silva – a aposta de Rui Moreira para a Cultura – transformou, em apenas dois anos, o modo como ainda hoje vivemos a própria cidade.

Foram, indiscutivelmente, os dois anos mais felizes que vivi o Porto.

Ficou essa energia contagiante, bem como uma série de estruturas que perduram com enorme sucesso e vitalidade, tais como a devolução à cidade do ‘Rivoli Teatro-Municipal do Porto’, a ‘Galeria Municipal do Porto’, o ‘Festival Dias-Da-Dança’, o ‘Cultura em Expansão’, o ‘Fórum do Futuro’ – que teve este ano uma das suas melhores edições -, sendo, a meu ver, os principais responsáveis desse legado Tiago Guedes e Joaquim Guilherme Blanc, bem como, evidentemente, o próprio Presidente que assumiu à data o pelouro da Cultura, Rui Moreira.

Fica o seu legado, bem como a memória que dele transportamos, cabendo a cada um de nós fazer aquilo que nos for possível.

 

Fotografia: Miguel Nogueira

Alojamento Local [+]

Há muito defendo que uma das medidas necessárias para refrear a vaga de despejos e de cessação de contratos de arrendamento que, em particular desde há dois anos, têm acontecido em grande número nas zonas mais sensíveis de Lisboa e Porto, passará por limitar a licença de exploração de Alojamento Local (AL) a imóveis que estejam em ruína e/ou devolutos há pelo menos 3 anos.
3 anos é o prazo em que uma empresa de investimento imobiliário usufrui duma série de benefícios fiscais e dentro do qual, maioritariamente, estrutura o seu negócio. Em paralelo, nenhum senhorio estaria disposto em abdicar dum período suficientemente longo sem usufruir dum qualquer rendimento dum imóvel para mais tarde o colocar num serviço que, até pelas constantes mudanças da legislação e do próprio mercado, não consegue antever como estará.
A CM Lisboa avançou há poucos meses com uma medida semelhante (https://observador.pt/2019/04/08/camara-de-lisboa-preve-excecao-para-alojamento-local-nos-bairros-historicos-apos-reabilitacao/). Pelo Porto temo o que vai sendo costume em Portugal, isto é, duma actual liberalização das licenças de AL, passar-se de imediato para uma restrição total. Esta nossa – portuguesa – constante incapacidade de saber regular de modo a encontrar equilíbrios, tem limitado, e não pouco, a nossa já parca capacidade de empreender – infelizmente pensa-se sempre mais e fica-se mais iludido com o investimento estrangeiro do que propriamente em contribuir para uma nossa mudança de mentalidades, ajudando e incentivando primeiramente os que por cá vão tentando fazer diferente (bastando para isso verificar o alarido que os nossos autarcas fazem sempre que uma empresa estrangeira se fixa em Portugal, não tanto pelo nosso Sol e simpatia, mas pelos nossos baixos salários).
No Porto tem-se intensificado a tensão entre proprietários e arrendatários, situação que muitos no sector acreditam vir a acentuar como resultado dum já notório arrefecimento dos valores, colocando nos investidores pressão para acelerar processos.
Este fim-de-semana ardeu mais um prédio no centro da cidade do Porto (o terceiro este ano), tendo este caso a particularidade de se tratar dum imóvel sobre o qual a CM Porto tinha, há cerca de uma semana, demonstrado interesse em adquirir para a criação do Museu do Liberalismo, dado tratar-se da casa onde terá nascido Almeida Garrett. Pelo que pude saber sobre o imóvel, este incidente não destruiu nada de extraordinário que não seja facilmente reconstruido, encontrando-se o prédio devoluto e vazio de recheio aquando o incêndio da passada madrugada de sábado para domingo. Menos mal. Por tal estou certo que o interesse continuará a existir por parte da Autarquia e que tudo será feito para que tal aconteça.
A razão nunca está dum só lado, pelo que medidas para forçar consensos são necessárias, caso contrário a decisão final já se antevê, proibir cegamente, e desse modo fazer travar a fundo um investimento que é tão necessário para a continua recuperação dos nossos ainda destruídos centros urbanos, como a fixação duma população residente nesses mesmos locais.
#cmporto #cmlisboa