Avenida Brasil e Montevideo [+]

Há medidas subtis que se tomam para resolver grandes problemas. A CM Porto, em vez de insistir na ideia tonta dos drones, optou, em articulação com a CM Matosinhos, por restringir o acesso automóvel na marginal ao fim-de-semana. Uma medida simples, que se saúda, e que estou seguro que se irá manter.

Portugal encontra-se ao nível da mobilidade extremamente atrasado face aos restantes países Europeus, tanto ao nível de território como urbano, bastando estar-se atento a Espanha para se encontrar um excelente exemplo a seguir. Lisboa tem dado alguns sinais nesse sentido, mas ténues e lentos, deixando-se bloquear pela pressão pública onde o automóvel ainda se sobrepõe a todos os interesses. No Porto, a mobilidade tem sido, a meu ver, onde o actual executivo mais dificuldades tem demonstrado, ao contrário de outras áreas de acção onde se tem notado um esforço de inovação.

Intervenções datadas como a que actualmente se está a operar na Avenida Fernão Magalhães, arruamentos com constantes alterações de orientação de sentido – por vezes têm-se dificuldade em perceber qual a última marcação do piso -, pouca acção na restrição do automóvel, permissão excessiva de veículos turísticos (que alívio tem sido andar pela cidade sem sightseeing bus e tuk-tuks), etc,… têm demonstrado que há muita coisa a mudar no modo de definir e pensar mobilidade no Porto.
Uma das intervenções que mais polémica gerou, sendo unanime a opinião de não ter corrido bem, foi a realizada ao longo das Avenidas Montevideo e Brasil que, os fins-de-semana, têm provado que se poderia reduzir o trânsito ali existente nos restantes dias da semana. Uma medida tão simples como esta que apresento, na qual se assumiria em definitivo que passaria a haver uma faixa de rodagem automóvel com apenas uma via em cada sentido, permitiria a criação de um corredor de árvores entre a actual ciclovia e o tráfego automóvel. Ganhar-se-ia um importante corredor verde e área permeável (é impressionante a extensão de área pavimentada entre as praias e a primeira linha de construção), bem como se aumentaria, e muito, a segurança na ciclovia. Quanto à desculpa do costume que tal provocaria constrangimentos ao trânsito pelo ritmo dos transportes públicos, e apesar de haver alternativas de desenho nas zonas de paragem, eu respondo: mais constrangimentos criam os que não usam os transportes públicos!
(penso sempre nisso quando dirijo atrás de um autocarro).

#mobilidade #porto

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‘Porto por Ponto.’ [+]

Uma das novidades para 2020 será o programa ‘Porto por Ponto.’ na Rádio Manobras, que se pretende ser um momento de reflexão, elogio e crítica de tudo o que se vai fazendo, ou deixando por fazer, na cidade do Porto.

Ontem gravámos o primeiro programa, no qual fizemos um balanço do ano que agora termina. Irá para o ar na primeira semana de Janeiro.

O programa terá uma frequência semanal, contando, para além da minha, com a participação de Ana Carolina, Luís de Sousa e Miguel Januário, com condução de Hélder Sousa.

Acompanhem o programa em: http://www.porponto.pt

📷 Miguel Januário
#rádiomanobras #porto

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Pavilhão Rosa Mota [+]

Não me inquieta o nome daquele que para a cidade sempre foi e será o ‘Palácio de Cristal’, menos ainda quem tem a fonte de letra maior no anúncio do mesmo, transformando-se assim num fait-divers algo que tem no seu âmago uma postura arrogante, desrespeituosa e tristemente cada vez mais recorrente.

Nesta história – a avaliar por ser verdadeira a versão da atleta Rosa Mota -, o que me parece grave e condenável é a mudança do compromisso assumido pelo promotor com a própria, não tanto pelo resultado e tema em si como referi anteriormente, mas porque tem sido recorrente a falta de palavra e compromisso numa sociedade cada vez mais vergada ao grande mercado que, sob o lema ‘pago logo posso’, vai fazendo e desfazendo com o alto patrocínio de quem nos deveria governar e zelar pelo interesse comum.

Diria tratar-se neste caso de elegância e educação, ou, mais concretamente, da falta dela.

Não é só no Porto, é no país, na Europa, no mundo.

#porto

ªSede [+]

A partir de amanhã (28/Set), a Corujeira contará, pela primeira vez, com um espaço dedicado às Artes Plásticas e Perfomativas.
É a nova ªSede!

 

Texto de sala, escrito pela Sónia Moura para a exposição ‘Precipício’ de Miguel Oliveira:

“Notas do abismo

É na trama intersticial que resulta da articulação entre mundo natural e construído, que se desenvolvem algumas das mais interessantes propostas artísticas contemporâneas como a que nos apresenta Miguel Oliveira que, emergindo deste território de características tão subjectivas quanto difusas, projecta breves fragmentos de universo imaginal.
Um espaço de liberdade sempre encerra possibilidades infinitas pois nele palpita uma silenciosa emergência das coisas há muito adormecidas … que aguardam renascer para novas histórias e significados. A cristalização das formas e geometrias prossegue então um processo meticuloso, um ritmo pausado e reflectido pois a sua fórmula depende de uma medida exacta de intuição, equilíbrio entre opostos, e do inevitável e decisivo jogo de tensões a que tudo está sujeito. No entanto, novas histórias se escrevem nesta corda em equilíbrio onde se percebe o cintilar de múltiplas e ínfimas constelações que caminham lado a lado do [sempre] terrível abismo, o negro que em tudo vive.
Intuir estes enigmas é tarefa para alguns, aqueles cujo olhar sensível pressente nos pequenos despojos quotidianos, o que afinal nos aproxima da imensidão universal.”